A Betnacional continua autorizada pela SPA/MF e operando normalmente, mesmo depois de a Receita Federal e o Ministério Público Federal terem deflagrado, no dia 28 de agosto, uma operação contra o grupo que controla a marca.
A investigação mira a empresa por suspeita de crimes tributários e financeiros. A Secretaria de Prêmios e Apostas informou que, por enquanto, não vai aplicar nenhuma medida que suspenda as apostas na plataforma.
A Betnacional está funcionando?
Sim. A marca segue na lista oficial de bets autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), e o site continua no ar com depósitos, saques e apostas funcionando.
A operação da Receita e do MPF é uma investigação criminal e fiscal contra a empresa. Ela não cancela nem suspende a autorização para operar. Quem decide isso é a SPA, e a secretária Daniele Cardoso afirmou na coletiva de imprensa que não seria adotada, naquele momento, medida cautelar para interromper as atividades da plataforma.
Vale a distinção, porque ela confunde muita gente, mas uma bet pode estar sendo investigada e continuar 100% legal. Enquanto o nome estiver na lista da SPA, ela é uma casa autorizada, com todas as obrigações que isso traz: pagar prêmios, proteger dados e oferecer ferramentas de jogo responsável.
Saldo dos usuários está seguro
A Justiça determinou o bloqueio de R$191 milhões em bens e valores ligados ao grupo investigado.
Esse bloqueio é sobre o patrimônio da empresa. Ele não alcança o saldo na conta dos apostadores. Isso acontece porque as regras do mercado regulado brasileiro obrigam as casas autorizadas a manter o dinheiro dos apostadores separado do caixa da própria empresa. É a chamada segregação patrimonial, uma das exigências que a SPA impõe para conceder a licença.
Na prática, o dinheiro que está na sua conta não é da bet; está apenas sob a guarda dela. Até agora, não houve nenhum relato ou determinação envolvendo bloqueio de saques ou de contas de usuários.
O que está sendo investigado
A operação se chama Jogo de Sombras e foi conduzida pela Receita Federal em conjunto com o MPF. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Não houve mandados de prisão.
O alvo é o grupo NSX, dono da Betnacional, que segundo os investigadores teria movimentado mais de R$5 bilhões apenas em 2025. Os investigadores apuram crimes de sonegação de impostos, envio ilegal de dinheiro para o exterior e lavagem de dinheiro.
A suspeita tem duas partes. A primeira é sobre o período anterior à regulamentação: os investigadores apontam que o grupo teria criado uma empresa em Curaçao, no Caribe, para fazer parecer que a plataforma era operada fora do Brasil, quando na prática empresas brasileiras é que tocavam a operação, o que teria reduzido os impostos pagos aqui.
A segunda parte trata do período após a liberação do funcionamento. A Receita Federal afirma ter encontrado declarações de despesas falsas para pagar menos impostos a partir de 2025. O órgão abriu 11 processos para investigar o caso, com chance de recuperar R$300 milhões, e informou que já reunia dados sobre o grupo desde 2023.
Em nota, a NSX Brasil confirmou a busca e apreensão em seu escritório no Recife. A empresa afirmou que colabora com as autoridades, já entregou os documentos pedidos e segue a lei com regras rígidas de controle e transparência.
A NSX disse também que sua defesa ainda não teve acesso ao processo e, por isso, não pode comentar as acusações. A Justiça ainda não julgou nem aceitou nenhuma denúncia contra a empresa. Trata-se de uma fase de apuração sobre suspeitas que a empresa nega ter cometido.
O que esperar nos próximos meses
Três frentes correm em paralelo, com ritmos diferentes:
- A cobrança de impostos: É o desfecho mais provável e o mais rápido. A Receita já estimou cerca de R$300 milhões. A empresa pode negociar um acordo ou discutir a cobrança na Justiça. Não afeta o apostador.
- Os processos na SPA: A SPA pode aplicar desde multas até suspender o funcionamento da empresa, e usará as informações da investigação para tomar uma decisão.
- A parte criminal: É a mais lenta. Não houve prisões nem denúncia formal. Uma investigação desse porte costuma levar meses ou anos até chegar a uma conclusão.
Há ainda uma discussão jurídica de fundo que vai além deste caso: até onde o Estado pode cobrar impostos de um período em que a atividade ainda não estava regulamentada no Brasil?
A regulamentação só entrou em vigor em 1º de janeiro de 2025, e advogados do setor sustentam que não é possível punir retroativamente empresas que operavam num vácuo de regras. Esse debate deve pesar no resultado final.


