A Argentina enfrenta nesta quarta-feira, 15 de julho, o seu primeiro adversário de grande nível na Copa do Mundo de 2026. A partida será disputada no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
Depois de um caminho recheado de adversários de baixo calibre no mata-mata (Cabo Verde na primeira ronda; Egito nas oitavas; e Suíça nas quartas), a Albiceleste finalmente cruza com uma potência de elite: a Inglaterra de Thomas Tuchel, Harry Kane e Jude Bellingham.
E o mercado de apostas, ao contrário do que muitos imaginariam, não coloca a Argentina como favorita. A ligeira vantagem é inglesa, e as probabilidades indicam que o sonho do bi pode acabar em Atlanta.
Probabilidades Inglaterra x Argentina
Por que a Inglaterra é favorita?
A explicação está na campanha das duas seleções até aqui. A Argentina teve uma fase de grupos tranquila contra Argélia, Áustria e Jordânia, três adversários tecnicamente inferiores. No mata-mata, porém, a história foi diferente.
Na primeira ronda, sofreu para eliminar Cabo Verde e só garantiu a classificação na prorrogação, vencendo por 3 a 2. Nas oitavas, enfrentou um Egito valente, mas limitado, e esteve a perder por 2 a 0 até aos 79 minutos. A vaga só veio graças a uma reação emocionante no fim da partida. Nos quartos, bateu a Suíça apenas na prorrogação, sendo que os helvéticos jogaram com dez jogadores desde o minuto 72, após a expulsão de Breel Embolo. Em resumo, a Argentina avançou, mas passou longe de ter uma campanha tranquila no mata-mata.
A Inglaterra, por outro lado, passou por Croácia, México (a jogar 40 minutos com um a menos) e Noruega, tudo equipes de nível claramente superior aos adversários da Argentina. Contra os noruegueses, liderados por Erling Haaland e Martin Ødegaard, a classificação só veio na prorrogação, com dois gols de Jude Bellingham.
O time comandado por Thomas Tuchel chega com características que podem complicar a vida da Argentina. É uma equipe forte fisicamente, intensa na marcação e com um meio-campo capaz de pressionar a saída de bola adversária. Além disso, os ingleses chegam um pouco mais descansados e sem o desgaste causado pelas polêmicas de arbitragem que marcaram os últimos jogos da seleção argentina.
O mercado espera um jogo amarrado
Com 62% de probabilidade implícita para menos de 2.5 gols (odd 1.62), o mercado antecipa um duelo tático e de poucas chances.
À primeira vista, esse cenário pode parecer contraditório. Afinal, Argentina e Inglaterra têm ataques muito produtivos ao longo da Copa, mas também não passaram ilesas defensivamente. Ainda assim, o contexto da partida pesa bastante na formação das odds.
Por se tratar de uma semifinal de Copa do Mundo, a tendência é que as duas equipes adotem uma postura mais cautelosa, evitando correr riscos desnecessários. Em jogos desse nível, um único lance costuma fazer a diferença, o que reforça a expectativa de um placar apertado e, quem sabe, até de uma decisão na prorrogação.
O desgaste físico também entra na conta. De um lado, o cansaço pode reduzir a intensidade e a eficiência dos ataques. Do outro, também pode provocar erros defensivos e abrir espaços para chances de gol. É justamente esse equilíbrio de fatores que torna a previsão tão difícil e aumenta a expectativa para um dos jogos mais importantes da Copa.
Quem vai marcar? As probabilidades
Probabilidades marcadores de gol
Lionel Messi chega a esta semifinal como o artilheiro da competição, com 8 gols. A probabilidade implícita de marcar a qualquer momento é de 38%, um número que, para os padrões do camisa 10, é surpreendentemente baixo.
Nas fases anteriores, contra adversários mais frágeis, Messi tinha odds na casa de 1.80 ou 1.90. A subida para 2.62 reflete o respeito do mercado pela defesa inglesa e a expectativa de que Messi terá muito menos espaço do que teve contra Cabo Verde, Egito ou Suíça.
Julián Álvarez e Lautaro Martínez aparecem logo de seguida, mas também sem um favoritismo tão grande quanto em jogos anteriores.
O estranho caso Bellingham: artilheiro, mas preterido nas odds
Jude Bellingham vive uma grande Copa do Mundo. Com seis gols marcados, incluindo os dois que garantiram a vitória sobre a Noruega nas quartas de final, o meio-campista tem sido um dos principais destaques da Inglaterra e de toda a Copa.
Mesmo assim, as casas de apostas não o colocam entre os favoritos para marcar nesta semifinal. A odd para um gol de Bellingham é de 4.65 (21% de probabilidade), bem atrás de Ivan Toney e Ollie Watkins (ambos com 33%), dois centroavantes que nem sequer têm sido utilizados na seleção inglesa.
A explicação está no papel de cada jogador dentro de campo. Bellingham é um meio-campista que costuma chegar de trás e aparecer na área no momento certo, mas sua principal função continua sendo participar da construção das jogadas e pressionar a saída de bola do adversário. Seu trabalho contra a Argentina será mais complicado e talvez não tenha tantas oportunidades de finalização.
Já Toney e Watkins são atacantes de ofício. Mesmo entrando apenas no segundo tempo, podem aproveitar o desgaste da defesa argentina, principalmente se a partida for para a prorrogação. Como vivem dentro da área e finalizam com mais frequência, o mercado entende que eles têm mais chances de marcar.
Ainda assim, as odds chamam a atenção. Pelo desempenho de Bellingham nesta Copa (e considerando que Toney sequer entrou em campo até agora) muitos apostadores podem considerar essa avaliação das casas de apostas conservadora demais.


