Site de Apostas Previsões Quem tem mais chance de vencer as eleições 2026? O que os mercados preditivos e as pesquisas mostram
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Quem tem mais chance de vencer as eleições 2026? O que os mercados preditivos e as pesquisas mostram

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Escrito por Lucas Oliveira Redator
Atualizado: 16 set. 2026

A poucos dias do primeiro turno, Flávio Bolsonaro voltou a passar Lula e é agora o favorito nos mercados preditivos: 53% de chance de vencer a eleição, contra 43,8% de Lula, segundo o levantamento do Site de Apostas feito em 16 de setembro.

Há uma semana, a leitura era o inverso. Lula tinha 52,1% e Flávio 44,3%. São 17 pontos de virada em sete dias. Flávio já tinha liderado três vezes desde que entrou na disputa, mas sempre por empates técnicos de poucos dias; esta é a primeira vez que abre vantagem clara, e o dia em que ela começou tem nome: 11 de setembro, quando o TSE barrou a candidatura de Pablo Marçal. As pesquisas registradas no TSE ainda apontam empate técnico no segundo turno.

Os dados de mercado oferecem uma vantagem em relação às pesquisas de intenção de voto tradicionais, pois são atualizados em tempo real de acordo com as transações de milhares de apostadores.

Aviso:

As probabilidades aqui presentes foram calculadas a partir dos preços de 2 mercados preditivos internacionais (Polymarket e Kalshi), consultados em 16/09/2026 às 8h30 (horário de Brasília). Não são odds de casas de apostas: a lei não permite apostas em eventos não esportivos (como eleições) nas bets autorizadas.

Chances de vitória dos candidatos

Grafico eleicoes brasil ate 16 set

Flávio Bolsonaro é o favorito nos dois mercados que acompanhamos, com preços praticamente idênticos: 54,4% na Polymarket e 54,5% na Kalshi. É o maior grau de concordância entre as duas plataformas desde que começamos a comparar.

CandidatoPolymarketKalshiTermômetro SDAVariação 7 dias
Flávio Bolsonaro (PL)54,4%54,5%53,0%+8,7
Lula (PT)44,5%45,5%43,8%−8,3
Renan Santos (Missão)1,6%1,1%1,3%+0,2
Augusto Cury (Avante)0,4%0,5%0,4%−0,2
Demais candidatos0,9%1,6%1,6%−0,4

Preços mudam durante o dia.

Por que o nosso número é menor do que o das plataformas. A soma de todos os contratos de um mercado passa de 100%. Essa diferença é a margem da plataforma, igual ao que acontece nas odds de uma casa de apostas. Nós retiramos essa margem antes de comparar, para que a nossa coluna feche em 100% e os candidatos possam ser somados entre si. Nesta consulta a margem era de 1,8% na Polymarket e 3,1% na Kalshi.

Um mercado também tem sempre um preço de compra e um de venda. Usamos o ponto médio entre os dois. Quem olhar só o lado da venda vai ver um número um pouco maior.

Como interpretar esta tabela:

Os números acima não são intenção de voto. São probabilidade de vencer a eleição medida pelos mercados preditivos.

Uma pesquisa mede a fatia de votos que um candidato teria se a eleição fosse hoje. Um mercado preditivo mede a chance de ele estar sentado na cadeira em 1º de janeiro de 2027. Um candidato pode ter 40% das intenções de voto e 70% de chance de vencer, ou o contrário. São réguas diferentes, medindo coisas diferentes, e por isso não podem ser misturadas na mesma média.

Um exemplo do próprio mercado, hoje: a chance de Lula fazer mais votos no primeiro turno é de 78,4%. A chance de ele vencer a eleição é de 43,8%. Não há contradição entre os dois números, é apenas a leitura de que ele deve liderar em 4 de outubro e pode depois perder no dia 25.

Virada veio de um nome que saiu da disputa

Na sexta-feira, 11 de setembro, o TSE formou maioria e barrou o registro da candidatura de Pablo Marçal (PRTB), com base em inelegibilidade até 2032 decorrente de condenação de 2024 e em irregularidades na filiação partidária. Marçal desistiu em seguida, e o PRTB lançou Leonardo Avalanche no lugar.

Marçal tinha pouco voto, mas tirava voto de um lado só. O melhor dado sobre isso é do próprio Datafolha: no cenário com Marçal na disputa, Flávio Bolsonaro aparecia com 33% no primeiro turno; sem ele, com 35%. Dois pontos que voltavam ao campo da direita assim que o nome saía da urna.

O mercado reprecificou essa conta de imediato. A série da Polymarket, apurada dia a dia, mostra a troca de liderança acontecendo exatamente em 11 de setembro, o dia da decisão. Até 10 de setembro, Lula liderava; a partir do dia 11, não voltou a liderar nenhum dia.

Há um detalhe que vale explicar, porque é contraintuitivo. O próprio Marçal nunca teve chance de vencer segundo o mercado. O contrato dele começou a ser negociado em 17 de agosto e nunca passou de 0,7%. Ou seja, os quase 7 pontos que Flávio ganhou em 11 de setembro não vieram do contrato de Marçal, mas sim do contrato de Lula. O mercado não redistribuiu a chance de um candidato que saiu; reavaliou quem ganha o segundo turno agora que o voto da direita deixou de ter para onde se dividir.

E a primeira pesquisa a ir a campo depois da decisão foi também a primeira a mostrar Flávio na frente no segundo turno.

Linha do tempo das principais oscilações do mercado de apostas

Não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro lidera. Aconteceu três vezes antes, e as três foram curtas. A diferença desta vez está na margem e na causa.

PeríodoQuem lideravaDuraçãoMargem médiaPico
19/09/2025 a 25/03/2026Lula188 dias23,1 ptsLula 61,7% (13/10)
26/03 a 31/03/2026Flávio6 dias1,2 ptFlávio 44,2%
01/04 a 20/04/2026Lula20 dias2,7 ptsLula 42,0%
21/04 a 23/04/2026Flávio3 dias0,9 ptFlávio 40,3%
24/04/2026Lula1 dia0,9 ptLula 39,4%
25/04 a 13/05/2026Flávio19 dias4,5 ptsFlávio 44,2% (08/05)
14/05 a 10/09/2026Lula120 dias26,5 ptsLula 65,7% (02/08)
11/09 a hojeFlávio6 dias6,1 ptsFlávio 53,6% (16/09)

As três lideranças anteriores de Flávio foram empates técnicos disfarçados: em abril, a vantagem média foi de 0,9 ponto. A de agora é de 6,1 pontos, e os 53,6% de hoje são o valor mais alto que ele já teve desde que o contrato começou a ser negociado, em 19 de novembro de 2025.

DataFlávioLulaMargem
09/0944,9%51,9%Lula +7,0
10/0945,4%51,4%Lula +6,0
11/0951,9%45,1%Flávio +6,9
12/0951,6%45,1%Flávio +6,6
15/0951,6%45,3%Flávio +6,3
16/0953,6%43,6%Flávio +9,9

A margem virou 12,9 pontos em 24 horas, no dia 11. É o segundo maior movimento diário de toda a série de um ano.

Série histórica da Polymarket, apurada dia a dia. O Termômetro publicado no topo desta página é a média de Polymarket e Kalshi; a série histórica vem só da Polymarket, e a diferença entre as duas leituras é de décimas.

O que as pesquisas registradas no TSE mostram

Três institutos divulgaram pesquisa nos últimos dias. Nenhum aponta vantagem fora da margem de erro no segundo turno. Mas o mais recente, e único que foi a campo depois da decisão sobre Marçal, é o único com Flávio na frente.

Segundo turno, últimas pesquisas de cada instituto

  • Quaest (10 a 13 de setembro): Lula 40%; Flávio 42%
  • Datafolha (8 a 10 de setembro): Lula 46%; Flávio 44%
  • AtlasIntel (4 a 9 de setembro): Lula 46,4%; Flávio 46,2%

Primeiro turno, últimas pesquisas de cada instituto

  • Quaest (10 a 13 de setembro): Lula 36%; Flávio 31%
  • Datafolha (8 a 10 de setembro): Lula 39%; Flávio 35%
  • AtlasIntel (4 a 9 de setembro): Lula 43%; Flávio 37,4%

A média das três margens de segundo turno dá empate: menos de um décimo de ponto separando os dois. O mercado, no mesmo dia, dá 9,2 pontos de vantagem a Flávio.

Essa distância entre as duas leituras é o Diferencial Mercado–Pesquisa, e hoje está em 9,3 pontos a favor de Flávio. Na semana passada estava em 7,8 pontos... a favor de Lula.

Lula favorito no primeiro turno, atrás na eleição

Esta é a previsão dos mercados preditivos. Existe um mercado separado só para quem faz mais votos em 4 de outubro, e ali a leitura é quase oposta. Lula tem 78,4% de chance de terminar o primeiro turno em primeiro lugar, contra 21,1% de Flávio.

As pesquisas dizem a mesma coisa. Lula lidera o primeiro turno em todos os três institutos, por margens de 4 a 5,6 pontos, e fica abaixo dos 50% em todos eles. Ou seja, segundo turno praticamente certo. É no segundo turno que a corrida vira, porque o voto que hoje está com Cury, Renan Santos e Caiado se redistribui, e a maior parte dele não vai para o PT.

Resumindo o que o mercado está precificando: Lula lidera em 4 de outubro, e perde em 25 de outubro.

Como funcionam os mercados de apostas nas eleições

Mercados preditivos negociam contratos que pagam $1 se o evento acontecer e nada se não acontecer. Se o contrato de um candidato está sendo negociado a $0,53, o mercado está dizendo que ele tem 53% de chance de vencer.

A diferença para uma pesquisa é o incentivo. Numa pesquisa, responder errado não custa nada a quem responde. Num mercado, quem erra perde dinheiro; e quem tem informação melhor que a do resto tem incentivo para usá-la.

Por isso, esses preços costumam reagir a fatos novos mais rápido do que uma pesquisa, que leva dias para ir a campo e ser divulgada. A virada desta semana é um exemplo, pois o mercado mexeu no fim de semana seguinte à decisão do TSE, enquanto a pesquisa que capturou o mesmo movimento só saiu na segunda-feira.

Isso não faz do mercado um oráculo. Mercados preditivos erram, às vezes feio, e têm limitações conhecidas: participantes majoritariamente estrangeiros no caso brasileiro, liquidez concentrada em poucos nomes e sensibilidade a notícia de curto prazo. A leitura correta é tratar mercado e pesquisa como dois termômetros diferentes, não como um certo e outro errado.

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