Entre as várias disputas individuais que movimentam o mercado de apostas na Copa do Mundo 2026, uma chama a atenção pelo contraste gritante que revela: o prêmio de jogador com mais passes para gol do torneio.
De um lado, Bruno Fernandes é o grande favorito e chega embalado pela temporada mais criativa da história da Premier League. Do outro, a ausência de brasileiros, já que, em muitas casas de apostas, não há um único jogador canarinho entre os 35 ou 40 primeiros cotados.
Probabilidades líder das assistências
Bruno Fernandes é o favorito, com um pelotão de perseguidores europeus com praticamente as mesmas chances. E o Brasil? Para encontrar um jogador canarinho é preciso descer muito na lista. Na Betano, por exemplo, não é possível apostar em nenhum neste momento.
A ausência brasileira nos favoritos a este prêmio é um retrato do sistema tático da Seleção de Carlo Ancelotti.
Probabilidades líder das assistências (Brasil)
Portugal com dois favoritos
O favoritismo de Bruno Fernandes não é por acaso. O meia português de 31 anos chega à Copa de 2026 após estabelecer o recorde histórico de assistências em uma única temporada da Premier League: 21 passes para gol, superando lendas como Thierry Henry e Kevin De Bruyne.

Bruno Fernandes quebrou o recorde de maior número de assistências em uma temporada da Premier League.
Na última Copa, no Catar, Bruno Fernandes já havia sido um dos líderes do fundamento, com três assistências. Além disso, segue sendo o grande cérebro criativo da seleção portuguesa: é responsável pelas cobranças de faltas e escanteios e conta com atacantes de alto nível para transformar suas chances criadas em gols, incluindo Cristiano Ronaldo.
Pedro Neto também aparece entre os favoritos. O atacante foi o principal garçom do Chelsea na última temporada e se destaca pela velocidade e pela qualidade nos cruzamentos, características que combinam perfeitamente com o estilo de jogo baseado em transições rápidas adotado por Portugal. Diferentemente de Bruno Fernandes, porém, sua vaga entre os titulares não é totalmente garantida, já que a concorrência no setor ofensivo é bastante forte.
A presença de dois portugueses entre os principais candidatos também se explica pelo grupo que Portugal terá pela frente. A seleção portuguesa está no Grupo K, ao lado de Colômbia, Uzbequistão e RD Congo. Com dois confrontos teoricamente mais acessíveis, a equipe terá boas oportunidades para acumular assistências já nas primeiras rodadas da competição.
Perseguidores de renome
Com 38 anos, Lionel Messi está cada vez mais articulador do que finalizador. Com 8 assistências na história das Copas, ele está a um passe de ultrapassar Diego Maradona e a dois de igualar Pelé (10) como o maior assistente de todos os tempos do torneio. Seu pé calibrado na bola parada é um trunfo que as casas de apostas conhecem bem e a Argentina também tem boas chances de chegar longe no torneio.
Michael Olise é o nome da nova geração francesa. Sua temporada pelo Bayern de Munique foi um espetáculo: 15 gols e 19 assistências na Bundesliga, além de 6 assistências na Champions League. Com Mbappé e Dembélé à disposição para converter suas chances criadas, Olise pode ser a grande surpresa.
Dani Olmo é o conector do meio-campo espanhol, uma seleção que historicamente domina a posse de bola (média de 70,4% na qualificação). Florian Wirtz, do Liverpool, divide a criação alemã com Musiala e é outro especialista em passes verticais. E Lamine Yamal chega à Copa após liderar a Champions League em assistências (12) e repetir o feito na Euro 2024 (4), com apenas 16 anos. Aos 18, o ponta da Espanha já é um assistente de elite.
Sumiço brasileiro
A ausência de brasileiros no topo da lista de favoritos a mais assistências não é um capricho das casas de apostas. É, acima de tudo, uma consequência do modelo tático que Carlo Ancelotti desenhou para a Seleção. E há razões muito concretas para isso.
Em primeiro lugar, o papel de Raphinha. Embora o ponta tenha feito uma temporada histórica pelo Barcelona, Ancelotti o vê como um atacante de profundidade: o homem que recebe o passe em velocidade e finaliza, não o que constrói a jogada. Nas palavras do próprio treinador, Raphinha é "o melhor do mundo atacando o espaço vazio às costas da defesa". Essa função de receptor reduz drasticamente sua projeção de assistências.
Depois, o histórico de Vinícius Jr. O camisa 10 do Brasil carrega um tabu incômodo: em 47 partidas oficiais pela Seleção, soma apenas 7 assistências. É um número baixíssimo para um jogador do seu calibre. Além disso, Ancelotti o instruiu a recompor defensivamente por dentro (e não pelo corredor lateral), o que o afasta da linha de fundo e reduz seus cruzamentos. Vini corre mais para trás do que para a frente em muitos momentos do jogo.
Some-se a isso a condição física de Neymar. Aos 34 anos, o craque sofreu uma lesão muscular de grau II na panturrilha direita e é dúvida para a estreia. Mesmo se jogar, Ancelotti já avisou que ele não atuará aberto pelas pontas, mas sim por dentro, disputando posição com Vinícius Jr. e Raphinha. Sem o espaço de drible nas laterais e com minutos limitados, suas chances de liderar o ranking são mínimas.
Por fim, o fator tático. Em Copas do Mundo, o mercado de assistências é frequentemente dominado por especialistas em bola parada. Escanteios e faltas laterais geram um volume alto de passes decisivos, especialmente em jogos de mata-mata truncados. A Espanha tem Alex Baena como cobrador oficial. Marrocos, Achraf Hakimi. Japão, Takefusa Kubo. A Seleção Brasileira de Ancelotti, por sua vez, prefere um estilo de transições rápidas e conduções individuais, o que fragmenta os passes e reduz o volume de assistências concentradas em um único jogador.



