O Mirassol está protagonizando uma das maiores surpresas da história recente da Libertadores. Em sua primeira participação no torneio, o clube do interior paulista garantiu a classificação antecipada para as oitavas de final (com vitória por 2 a 1 sobre o Always Ready, em Assunção, no Paraguai) e lidera o Grupo G com autoridade: são 12 pontos conquistados em 15 possíveis.
Os gols de Shaylon e Nathan Fogaça carimbaram o passaporte para a próxima fase e mexeram com o mercado de apostas. A probabilidade de o Mirassol conquistar o título, que antes do torneio era inferior a 2%, subiu para cerca 3,3%. Já a chance de chegar à decisão dobrou e agora está em torno de 7%.
É o mercado reconhecendo que o "Leão Caipira" deixou de ser um mero figurante. O Mirassol ainda é um azarão. Só que agora é um azarão que ninguém quer enfrentar.
Momento de forma do time
O Mirassol vive realidades opostas em 2026. Na Libertadores, é líder isolado do Grupo G com quatro vitórias em cinco jogos e classificação antecipada para as oitavas de final. A campanha inclui triunfos em casa sem sofrer gols e a primeira vitória internacional fora do Brasil na história do clube frente ao Always Ready, no Paraguai.

Mirassol venceu o Always Ready por 2x1 com gols de Shaylon e Nathan Fogaça
No Brasileirão, o cenário é o inverso. O time aparece na penúltima colocação, com 13 pontos em 15 jogos, mergulhado na zona de rebaixamento. Tanto que, justamente na partida que valia a vaga na Libertadores, o técnico Rafael Guanaes mandou a campo uma escalação alternativa para poupar titulares. A aposta deu certo, mas escancara o abismo entre as duas competições.
Além do contraste dentro de campo, o Mirassol ainda enfrentou adversidades externas na fase de grupos: jogou em Assunção com portões fechados, já que o duelo contra o Always Ready precisou ser transferido da Bolívia por conta da crise política no país vizinho.
Nada que abalasse o Leão. Agora, o time se prepara para fechar a fase de grupos contra o Lanús, na Argentina, no dia 26, com a chance de confirmar a liderança e o direito de decidir as oitavas em casa. Tudo isso enquanto segue lutando para escapar da degola no Brasileirão.
Caminho na Libertadores
Com a classificação antecipada e a liderança do Grupo G, o Mirassol está muito perto de entrar no Pote 1 do sorteio das oitavas de final (lugar reservado aos líderes de cada chave). Basta confirmar a primeira posição na última rodada, contra o Lanús, na Argentina, no dia 26 de maio.
Se conseguir, o time de Rafael Guanaes terá a vantagem de decidir em casa o confronto das oitavas e, em tese, cruzará com um adversário teoricamente mais fraco, vindo do Pote 2. Entre os possíveis adversários, aparecem nomes como Fortaleza, Atlético Nacional, Peñarol, Estudiantes e Cerro Porteño, entre outros que ainda brigam pela classificação.
O caminho, no entanto, é longo. As oitavas de final estão marcadas para agosto e pelo caminho, há uma pausa para a Copa do Mundo. Ou seja, depois de fechar a fase de grupos na próxima semana, o Mirassol terá quase três meses até o jogo mais importante da sua história. Tempo de sobra para ajustar o time, reforçar o elenco e tentar corrigir a campanha ruim no Brasileirão.
E é exatamente esse contraste que torna a trajetória do Mirassol ainda mais imprevisível. Um time que, na Libertadores, derruba odds e ignora a lógica, mas que no campeonato nacional luta contra o rebaixamento.


