O mercado de previsões deu um cavalo de pau muito rápido. Flávio Bolsonaro (PL) despencou 13 pontos percentuais no Polymarket, caindo de 43% para 30% nas projeções de vitória para 2026.
O tombo é o mais brusco já registrado pelo senador na plataforma e tem um gatilho claro: a divulgação de um áudio em que ele cobra R$134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Polêmica com Daniel Vorcaro
No dia 13 de maio, o site The Intercept Brasil revelou conversas, mensagens, documentos e comprovantes bancários que ligam Flávio Bolsonaro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O material mostra que o senador negociou diretamente um aporte de cerca de R$134 milhões para a produção da cinebiografia do seu pai, Jair Bolsonaro.
O áudio mais explosivo foi gravado pelo próprio Flávio em setembro de 2025. Nele, o senador cobra parcelas atrasadas e demonstra preocupação com a imagem da produção: "Imagina a gente dando calote num Jim Cavieziel, num Cyrus… os caras renomadíssimos no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim".
A reação do mercado foi imediata. No Polymarket, os números começaram a desabar poucos minutos depois da publicação da reportagem. Às 16h20 do dia 13, Flávio já havia recuado para os 30%, uma perda de 13 pontos em um único pregão.
Enquanto isso, Lula reassumiu a liderança com 43% e Romeu Zema (Novo) saltou de 3,6% para 9%, tornando-se a principal alternativa da direita na plataforma.
Queda de popularidade
O estrago não ficou restrito ao mercado de previsões. Dados da plataforma Hórus, da AP Exata, mostram que mais de 64% das menções a Flávio nas redes sociais passaram a ser negativas após a revelação, o pior índice entre todos os pré-candidatos monitorados e o mais alto desde o início de sua pré-campanha.
O índice de confiança associado ao senador caiu para 13,7%, o menor patamar entre os presidenciáveis.
O que dizem as pesquisas oficiais
O Datafolha divulgado três dias depois mostrou Lula e Flávio rigorosamente empatados no segundo turno, com 45% cada um. No entanto, o instituto entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 12 e 13 de maio, a maioria antes da divulgação do áudio.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (19 de maio) é o primeiro grande levantamento a medir o impacto completo do caso Vorcaro. Foram ouvidas 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, portanto, já com o escândalo no ar. E os números são eloquentes.
No primeiro turno, Lula alcançou 47% das intenções de voto, praticamente estável em relação a abril. Já Flávio Bolsonaro despencou de 39,7% para 34,3%, uma queda de 5,4 pontos percentuais distribuída por praticamente todos os segmentos do eleitorado. Com isso, Lula ficaria com cerca de 50% dos votos válidos, na fronteira da vitória já no primeiro turno.
Os principais beneficiários da sangria de Flávio foram Renan Santos (Missão) , que subiu de 5,3% para 6,9%, e Romeu Zema (Novo) , que avançou de 3,1% para 5,2%. Também cresceu o número de indecisos e de votos em branco ou nulo, sinal de que parte do eleitorado antipetista busca alternativas, mas sem migrar para Lula.


