Foi com uma virada épica e uma declaração de amor ao jogo que João Fonseca carimbou seu passaporte para um dos duelos mais aguardados de Roland Garros 2026. O brasileiro de 19 anos perdia por 2 sets a 0 para o croata Dino Prizmic na segunda rodada quando, do fundo da quadra 14, tirou forças para uma reação memorável: 3-6, 4-6, 6-3, 6-1 e 6-2, em 3h27min de batalha.
Foi sua primeira vitória de virada em um Grand Slam e a sua recompensa será um encontro com ninguém menos que Novak Djokovic, 24 vezes campeão de majors, na Philippe-Chatrier.
As casas de apostas, como era de se esperar, colocam o sérvio como favorito. Mas Fonseca tem chances de surpreender.
A soma ultrapassa os 100% por conta da margem de lucro da casa de apostas. Traduzindo: o mercado vê Djokovic como favorito, mas está longe de descartar Fonseca. Mais de 40% de chance é coisa séria.
Outro fator interessante é o do placar mais provável, segundo as odds, ser 3-0 para Djokovic. Com uma probabilidade implícita ligeiramente superior a 30%, o mercado acredita que, se o sérvio vencer o primeiro set, a tendência é que a vitória seja tranquila.
Djokovic é favorito
Aos 39 anos, o sérvio acumula 24 títulos de Grand Slam, três deles em Roland Garros, e ocupa a 4ª posição do ranking mundial. Na última partida, atingiu o recorde histórico de 120 jogos disputados no saibro parisiense.
Mas a campanha de Djokovic em 2026 revela um gigante que, aos poucos, se humaniza. Foram apenas três torneios disputados na temporada, com sete vitórias e três derrotas. Ele desistiu de três Masters 1000 (Miami, Monte Carlo e Madri) para lidar com questões físicas. Em Roma, caiu na estreia justamente para Dino Prizmic, o mesmo que Fonseca acaba de derrotar.

Prizmic venceu Djokovic este ano, em Roma
Nas duas primeiras rodadas em Paris, o sérvio sofreu mais do que o esperado: precisou de quatro sets para despachar os franceses Giovanni Mpetshi Perricard e Valentin Royer. "Não me lembro da última vez em que tive uma preparação sem problemas físicos", desabafou Djokovic em Roma. A pergunta que fica é: até quando o corpo de um campeão de 39 anos aguenta?
João Fonseca e o encontro de gerações
Do outro lado da rede estará um tenista de 19 anos que, apesar da pouca idade, já mostrou que não se entrega. A virada contra Prizmic revelou preparo físico e força mental, duas armas que podem ser decisivas.
Depois de dois sets apagados, Fonseca encontrou no primeiro saque a chave para crescer no jogo. "Quando ele perdia a oportunidade de fechar o ponto, eu pegava ele", explicou o brasileiro. "Consegui me manter muito bem mentalmente."

Fonseca conseguiu uma virada histórica contra Prizmic na segunda ronda
O retrospecto contra top 10 ainda é desfavorável, com uma vitória e seis derrotas. Mas o único triunfo foi em um palco de Grand Slam, no Australian Open de 2025, contra o então número 9 do mundo, Andrey Rublev. Fonseca já provou que não se intimida com o tamanho do evento.
E tem mais. A sua melhor campanha em um Masters 1000 veio justamente no saibro, com as quartas de final em Monte Carlo, onde só parou no número 3 do mundo, Alexander Zverev, após um jogo de 2h40min. O piso lento de Paris favorece seu estilo de jogo baseado em intensidade e variação tática.
Esta será a primeira vez que Djokovic e Fonseca se enfrentam no circuito profissional, e o contexto não poderia ser mais simbólico. De um lado, um sérvio de 39 anos que coleciona 24 títulos de Grand Slam. Do outro, um brasileiro de 19 que sonhava estar nesse exato lugar. "Eu sempre falei para o meu treinador que queria estar na chave do Djokovic", revelou Fonseca.
"Estar em Roland Garros, terceira rodada, para mim é só um sonho. Vou aproveitar cada momento jogando contra um ídolo, o GOAT do esporte", declarou o brasileiro. "Mas quando eu entro na quadra, eu quero ganhar."


