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Casas de apostas que saíram do Brasil: demissões, encerramentos e chances de volta

Veja quais casas de apostas demitiram funcionários ou encerraram atividades no Brasil após a MP 1.394/2026 e do que depende a volta delas.
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Escrito por Eduardo Sena Redator
Atualizado: 28 out. 2026

Desde 6 de outubro de 2026, nenhuma das 188 casas de apostas que tinham autorização federal pode receber apostas no Brasil. Isso aconteceu por força da MP 1.394/2026, e não por escolha das empresas.

Se você quer entender quem saiu, quem ficou e do que depende a volta dessas empresas, este artigo reúne tudo em um só lugar. Ele é atualizado sempre que uma nova casa anuncia demissões, encerra atividades ou muda de posição.

Quais casas de aposta demitiram ou saíram do Brasil

EmpresaMarca(s)O que fezData
KTO GroupKTOEncerrou as atividades, com mais de 200 desligamentos relatados8/10/2026
Flutter BrazilBetfairEncerrou a operação da marca no Brasil23/10/2026
Flutter BrazilBetnacionalCortou funcionários em várias áreas, mas manteve a marca23/10/2026
H2BetH2BetDesligou 170 de 270 funcionáriosInício de outubro de 2026
RivaloRivaloDispensou quase toda a equipe de cerca de 100 pessoasInício de outubro de 2026
Rei do PitacoRei do PitacoDemitiu 40 pessoas e colocou 30 em férias coletivasInício de outubro de 2026
Ana Gaming7K Bet e CassinoFez demissões, sem divulgar o númeroOutubro de 2026
Stellar GamingEstrelaBet e VupiFez desligamentos, sem divulgar o número14/10/2026
Kaizen GamingBetanoGarantiu os empregos até o fim da análise da MP no CongressoOutubro de 2026

Informações sobre os dados acima

Os dados acima são parciais e mudam conforme novos levantamentos são divulgados.

  • Demissões: mais de 3.500 trabalhadores foram demitidos por empresas de apostas desde a MP, o equivalente a 23% da força de trabalho do setor
  • Férias coletivas: outros 4.167 funcionários estão em férias coletivas
  • Projeção: a ANJL estima que as demissões cheguem a 5.600 em 90 dias, ou 37% dos trabalhadores do setor
  • Marcas que cortaram pessoal: das 188 marcas autorizadas antes da proibição, pelo menos 36 fizeram cortes, segundo a Associação de Mulheres da Indústria do Gaming
  • Cadeia indireta: um call center de Curitiba que prestava atendimento para uma casa de apostas teria dispensado 500 trabalhadores
  • Estimativa ampliada: o consultor jurídico da ANJL, Bernardo Freire, afirma que, contando publicidade, meios de pagamento, marketing, compliance e veículos de comunicação, as demissões podem chegar a 10 mil a 15 mil trabalhadores diretos

Casas que encerraram as atividades no Brasil

KTO (KTO Group)

O que aconteceu: segundo publicações de ex-funcionários no LinkedIn, a empresa desligou mais de 200 pessoas em 8 de outubro de 2026. O chefe de afiliados da KTO escreveu que o grupo estava fechando as portas por causa dos acontecimentos no Brasil. Até a última atualização, a empresa não havia confirmado oficialmente o fechamento.

O que a empresa disse: o fundador e CEO, Andreas Bardun, admitiu à imprensa especializada que houve muitas demissões. Segundo ele, parte da equipe continuaria na empresa, e a KTO seguia cumprindo suas obrigações legais e regulatórias.

Situação atual: o Brasil era o único mercado da KTO desde agosto de 2024, quando a empresa saiu do Peru e do Chile. Hoje, o site brasileiro redireciona para a página do governo federal.

Betfair (Flutter Brazil)

O que aconteceu: em 23 de outubro de 2026, a Flutter Brazil anunciou que vai concentrar suas atividades em uma única marca, a Betnacional. Com isso, a operação da Betfair no Brasil será encerrada, com demissões em várias áreas.

O que a empresa disse: segundo a Flutter, a MP mudou profundamente as condições de operação no país, porque interrompeu suas atividades comerciais e sua receita. A empresa quer manter uma estrutura enxuta, pronta para agir quando houver clareza sobre o futuro da MP.

Situação atual: a Betfair deixa de ter operação independente no Brasil. O grupo continua presente no país apenas por meio da Betnacional.

Casas que demitiram parte da equipe

Esta é a situação mais comum até agora: empresas que reduziram o quadro, mas não anunciaram o fim da operação brasileira. Em vários casos, o número de demitidos não foi divulgado.

Betnacional (Flutter Brazil)

O que aconteceu: junto com o fechamento da Betfair, a Flutter Brazil cortou funcionários em diferentes áreas. O número de demitidos não foi divulgado. No primeiro semestre de 2026, o Brasil gerou US$ 146 milhões em receita para a Flutter.

O que a empresa disse: a Flutter afirmou que a saída não é permanente e que espera retomar as operações caso o Congresso rejeite a MP. A empresa também disse que segue a legislação trabalhista brasileira no processo de demissões.

Situação atual: a Betnacional passa a ser a única marca do grupo no Brasil. O site está fora do ar desde 6 de outubro.

H2Bet

O que aconteceu: a H2Bet desligou 170 de seus 270 funcionários no início de outubro de 2026, cerca de 63% da equipe.

O que a empresa disse: quem divulgou o número nas redes sociais foi o diretor de operações, Diego Breda de Carvalho. Ele descreveu a data como o pior dia de seus 28 anos como empreendedor.

Situação atual: a empresa segue com cerca de 100 funcionários e não anunciou o encerramento da operação brasileira.

Rivalo

O que aconteceu: segundo ex-funcionários ouvidos pela imprensa, a Rivalo dispensou quase toda a sua equipe de cerca de 100 pessoas no início de outubro de 2026.

O que a empresa disse: o diretor da Rivalo no Brasil, Daniel Eskinazi, atribuiu as demissões à MP, que interrompeu as operações da empresa. À imprensa internacional, ele disse que a empresa mantém parte dos funcionários à espera de uma possível retomada, caso o mercado volte a ser regulado.

Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e a equipe foi reduzida.

Rei do Pitaco

O que aconteceu: segundo relatos de ex-funcionários, a empresa afastou mais da metade de seus cerca de 100 funcionários no início de outubro de 2026. Foram 40 demitidos e outros 30 colocados em férias coletivas.

O que a empresa disse: até a última atualização, a empresa não havia divulgado nota oficial sobre os desligamentos.

Situação atual: parte da equipe continua em férias coletivas. A ANJL aponta que trabalhadores nessa situação podem ser demitidos se a paralisação continuar.

7K Bet e Cassino (Ana Gaming)

O que aconteceu: a Ana Gaming, dona das marcas 7K Bet e Cassino, fez demissões em outubro de 2026.

O que a empresa disse: em nota, a empresa confirmou os desligamentos, mas não informou quantas pessoas foram afetadas.

Situação atual: os sites estão fora do ar desde 6 de outubro. A empresa não anunciou o encerramento da operação.

EstrelaBet e Vupi (Stellar Gaming)

O que aconteceu: em 14 de outubro de 2026, a Stellar Gaming, que administra a EstrelaBet e a Vupi, anunciou desligamentos. A empresa atribuiu a decisão à MP.

O que a empresa disse: o chief business officer, Fellipe Fraga, confirmou as demissões no LinkedIn e chamou a data de um dos dias mais difíceis de sua carreira. O número de desligados não foi divulgado.

Situação atual: os sites das duas marcas estão fora do ar desde 6 de outubro.

Casas que preservaram empregos ou foram à Justiça

Nem todas as casas reagiram com cortes. Algumas garantiram empregos por um período, outras mantiveram a marca visível por outros meios e uma tentou continuar operando por decisão judicial.

Betano (Kaizen Gaming)

O que aconteceu: a Kaizen Gaming garantiu os empregos de seus funcionários no Brasil até o fim da análise da MP 1.394/2026 pelo Congresso Nacional. A garantia tem prazo: termina quando o Congresso decidir sobre a MP.

O que a empresa disse: a empresa afirmou que segue comprometida com o Brasil e que está no país “para o longo prazo”. A Allwyn, dona de 36,75% da Kaizen, informou que a Betano prepara uma ação judicial para proteger seus direitos, já que recebeu uma licença de cinco anos em janeiro de 2025.

Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e o domínio redireciona para a página do governo federal. Como a de todas as casas, a autorização federal da Betano foi extinta em 25 de outubro.

Superbet

O que aconteceu: a Superbet aparece, ao lado da Betano, entre as grandes empresas que até agora preservam seus quadros. No futebol, o São Paulo manteve o contrato com a Superbet e passou a divulgar a Superscore. Ela pertence ao mesmo grupo, mas o governo não a considera casa de apostas.

O que a empresa disse: até a última atualização, a empresa não havia se posicionado publicamente sobre demissões ou sobre o futuro da operação brasileira.

Situação atual: o site está fora do ar no Brasil desde 6 de outubro. A marca continua operando em outros países.

Sportingbet (Entain)

O que aconteceu: não há relatos públicos de demissões na operação brasileira. No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 15 de outubro, a Entain registrou queda de 36% na receita no Brasil. Segundo o grupo, a queda veio em parte das dificuldades do mercado antes da proibição.

O que a empresa disse: a CEO Stella David afirmou que o valor de longo prazo da marca Sportingbet deixaria a empresa bem posicionada caso a proibição seja derrubada. A Entain também disse que cumpre a proibição como ela está hoje.

Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e o domínio redireciona para a página do governo federal.

Outras casas sem informação pública sobre demissões

Um levantamento da Gazeta do Povo em 6 de outubro, bet365, Blaze, Luva Bet, Galera Bet e Versus indicaram que esperam uma reversão ou contestação da proibição. Já o Santos suspendeu a exposição da marca Novibet, sua patrocinadora máster, mas o contrato continua vigente. Assim que alguma dessas empresas anunciar demissões ou mudanças na operação, ela entra nesta lista.

Do que depende a volta das casas de apostas

Hoje, nenhuma casa de apostas pode operar legalmente no Brasil. Para que qualquer uma delas volte, alguma destas frentes precisa mudar.

Presidência: Lula foi reeleito no segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Com Lula mantendo publicamente sua posição contrária às bets, a tendência é de continuidade da proibição por parte do governo federal. O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027.

Congresso: A MP já tem força de lei, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para virar lei de forma permanente. Até 27 de outubro, a comissão mista que vai analisar o texto ainda não tinha sido instalada.

A MP recebeu 99 emendas e entra em regime de urgência em 9 de novembro. O prazo inicial para votação termina em 23 de novembro e pode ser prorrogado por mais 60 dias. O recesso parlamentar suspende a contagem do prazo.

STF: O ministro Luiz Fux é o relator das ações sobre o tema. A AGU pediu que o Supremo rejeite as tentativas de suspender a MP, ouça a Procuradoria-Geral da República e realize uma nova audiência pública. Já a ANJL e o IBJR pediram a suspensão da MP ou, como alternativa, que as empresas autorizadas possam operar até 31 de dezembro de 2026.

Licenças extintas: Este é o ponto que costuma ficar de fora das manchetes. As autorizações federais foram extintas em 25 de outubro de 2026, sem direito a devolução das outorgas de R$ 30 milhões nem a indenizações.

Em todo o mercado, foram 85 outorgas e R$ 2,55 bilhões pagos. Pela Constituição (art. 62, §11), se a MP perder a validade sem que o Congresso regule seus efeitos, as relações criadas durante sua vigência continuam regidas por ela. Por isso, há uma interpretação de que, mesmo com a queda da proibição, as empresas teriam de pedir novas autorizações antes de voltar. Esse ponto ainda não foi decidido.

Obrigações em andamento: Mesmo fora do ar, as operadoras têm até 15 de dezembro para quitar as obrigações pendentes com a Secretaria de Prêmios e Apostas.

Para acompanhar cada uma dessas frentes em detalhe, veja o nosso artigo completo sobre a proibição das apostas.

Termômetro de retorno: os fatores que pesam na volta de uma casa de apostas

Prever se uma casa de apostas específica vai voltar ao Brasil exige informações que não são públicas: caixa disponível, decisões de conselho, negociações com investidores.

Por isso, esta seção não atribui chances a nenhuma marca. O objetivo é mostrar quais fatores observáveis tendem a pesar na decisão de uma empresa caso o mercado reabra.

Antes de tudo, a volta de qualquer empresa depende de uma condição anterior: a reabertura do mercado regulado, seja pelo Congresso, pelo STF ou por uma nova legislação. Sem essa condição, nenhum dos fatores abaixo é suficiente.

FatorPor que pesa na decisão
Manutenção de equipe ou estrutura no BrasilUma empresa que mantém funcionários, escritório e sistemas consegue retomar a operação mais rápido e com menos custo do que uma que precisa recontratar e reconstruir tudo
Operação em outros paísesGrupos com receita em vários mercados conseguem absorver meses sem faturamento no Brasil; empresas que dependiam só do mercado brasileiro têm menos fôlego para esperar
Peso do Brasil na receita do grupoQuanto maior a fatia brasileira no faturamento, maior o incentivo para voltar, mas também maior o dano financeiro durante a pausa
Declarações públicas sobre o futuroComunicados a investidores e funcionários indicam a intenção declarada da empresa, embora não sejam garantia de decisão futura
Presença da marca no país por outros meiosPatrocínios mantidos por marcas do mesmo grupo preservam a lembrança da marca e reduzem o custo de um eventual relançamento
Ações na JustiçaIr ao Judiciário mostra disposição de disputar o direito de operar ou a devolução de valores, mas também pode refletir apenas a tentativa de recuperar o investimento
Custo de uma nova autorizaçãoSe as empresas precisarem pagar uma nova outorga, o investimento perdido com a extinção das licenças pesa na conta de quem decide voltar
Ambiente regulatório futuroRegras mais restritivas, como uma eventual liberação apenas das apostas esportivas, mudam a viabilidade do negócio, sobretudo para empresas focadas em cassino online
Futuro difícil de prever

 Uma empresa pode manter a equipe e, ainda assim, decidir não voltar se o novo ambiente regulatório tornar a operação pouco rentável. Outra pode ter encerrado tudo e voltar com outra estrutura, caso as condições mudem.

Perguntas frequentes

Quais casas de apostas saíram do Brasil?

Todas as casas autorizadas pararam de operar em 6 de outubro de 2026 por força da MP 1.394/2026. Além disso, a Flutter encerrou a marca Betfair no país, e ex-funcionários relatam que a KTO fechou as portas, sem confirmação oficial da empresa.

Quantas pessoas foram demitidas pelas bets?

Mais de 3.500 trabalhadores, segundo levantamento parcial da ANJL divulgado em 7 de outubro de 2026. Outros 4.167 estavam em férias coletivas, e a projeção é de 5.600 demissões em 90 dias.

A KTO fechou?

Ex-funcionários relataram no LinkedIn o fechamento da empresa e mais de 200 demissões em 8 de outubro. O fundador admitiu muitos cortes, mas a empresa não confirmou oficialmente o encerramento.

A Betano demitiu funcionários?

Não, até a última atualização. A Kaizen Gaming garantiu os empregos no Brasil até o fim da análise da MP pelo Congresso.

Se a MP cair, as bets voltam automaticamente?

Não necessariamente. As autorizações foram extintas em 25 de outubro de 2026, e há interpretação de que as empresas precisariam de novas licenças para voltar a operar.

Existe alguma casa de apostas legal funcionando no Brasil hoje?

Não. Qualquer site que aceite apostas de brasileiros hoje opera sem autorização. Veja os riscos de apostar em casas não legalizadas.

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