Desde 6 de outubro de 2026, nenhuma das 188 casas de apostas que tinham autorização federal pode receber apostas no Brasil. Isso aconteceu por força da MP 1.394/2026, e não por escolha das empresas.
Se você quer entender quem saiu, quem ficou e do que depende a volta dessas empresas, este artigo reúne tudo em um só lugar. Ele é atualizado sempre que uma nova casa anuncia demissões, encerra atividades ou muda de posição.
Quais casas de aposta demitiram ou saíram do Brasil
| Empresa | Marca(s) | O que fez | Data |
|---|---|---|---|
| KTO Group | KTO | Encerrou as atividades, com mais de 200 desligamentos relatados | 8/10/2026 |
| Flutter Brazil | Betfair | Encerrou a operação da marca no Brasil | 23/10/2026 |
| Flutter Brazil | Betnacional | Cortou funcionários em várias áreas, mas manteve a marca | 23/10/2026 |
| H2Bet | H2Bet | Desligou 170 de 270 funcionários | Início de outubro de 2026 |
| Rivalo | Rivalo | Dispensou quase toda a equipe de cerca de 100 pessoas | Início de outubro de 2026 |
| Rei do Pitaco | Rei do Pitaco | Demitiu 40 pessoas e colocou 30 em férias coletivas | Início de outubro de 2026 |
| Ana Gaming | 7K Bet e Cassino | Fez demissões, sem divulgar o número | Outubro de 2026 |
| Stellar Gaming | EstrelaBet e Vupi | Fez desligamentos, sem divulgar o número | 14/10/2026 |
| Kaizen Gaming | Betano | Garantiu os empregos até o fim da análise da MP no Congresso | Outubro de 2026 |
Informações sobre os dados acima
Os dados acima são parciais e mudam conforme novos levantamentos são divulgados.
- Demissões: mais de 3.500 trabalhadores foram demitidos por empresas de apostas desde a MP, o equivalente a 23% da força de trabalho do setor
- Férias coletivas: outros 4.167 funcionários estão em férias coletivas
- Projeção: a ANJL estima que as demissões cheguem a 5.600 em 90 dias, ou 37% dos trabalhadores do setor
- Marcas que cortaram pessoal: das 188 marcas autorizadas antes da proibição, pelo menos 36 fizeram cortes, segundo a Associação de Mulheres da Indústria do Gaming
- Cadeia indireta: um call center de Curitiba que prestava atendimento para uma casa de apostas teria dispensado 500 trabalhadores
- Estimativa ampliada: o consultor jurídico da ANJL, Bernardo Freire, afirma que, contando publicidade, meios de pagamento, marketing, compliance e veículos de comunicação, as demissões podem chegar a 10 mil a 15 mil trabalhadores diretos
Casas que encerraram as atividades no Brasil
KTO (KTO Group)
O que aconteceu: segundo publicações de ex-funcionários no LinkedIn, a empresa desligou mais de 200 pessoas em 8 de outubro de 2026. O chefe de afiliados da KTO escreveu que o grupo estava fechando as portas por causa dos acontecimentos no Brasil. Até a última atualização, a empresa não havia confirmado oficialmente o fechamento.
O que a empresa disse: o fundador e CEO, Andreas Bardun, admitiu à imprensa especializada que houve muitas demissões. Segundo ele, parte da equipe continuaria na empresa, e a KTO seguia cumprindo suas obrigações legais e regulatórias.
Situação atual: o Brasil era o único mercado da KTO desde agosto de 2024, quando a empresa saiu do Peru e do Chile. Hoje, o site brasileiro redireciona para a página do governo federal.
Betfair (Flutter Brazil)
O que aconteceu: em 23 de outubro de 2026, a Flutter Brazil anunciou que vai concentrar suas atividades em uma única marca, a Betnacional. Com isso, a operação da Betfair no Brasil será encerrada, com demissões em várias áreas.
O que a empresa disse: segundo a Flutter, a MP mudou profundamente as condições de operação no país, porque interrompeu suas atividades comerciais e sua receita. A empresa quer manter uma estrutura enxuta, pronta para agir quando houver clareza sobre o futuro da MP.
Situação atual: a Betfair deixa de ter operação independente no Brasil. O grupo continua presente no país apenas por meio da Betnacional.
Casas que demitiram parte da equipe
Esta é a situação mais comum até agora: empresas que reduziram o quadro, mas não anunciaram o fim da operação brasileira. Em vários casos, o número de demitidos não foi divulgado.
Betnacional (Flutter Brazil)
O que aconteceu: junto com o fechamento da Betfair, a Flutter Brazil cortou funcionários em diferentes áreas. O número de demitidos não foi divulgado. No primeiro semestre de 2026, o Brasil gerou US$ 146 milhões em receita para a Flutter.
O que a empresa disse: a Flutter afirmou que a saída não é permanente e que espera retomar as operações caso o Congresso rejeite a MP. A empresa também disse que segue a legislação trabalhista brasileira no processo de demissões.
Situação atual: a Betnacional passa a ser a única marca do grupo no Brasil. O site está fora do ar desde 6 de outubro.
H2Bet
O que aconteceu: a H2Bet desligou 170 de seus 270 funcionários no início de outubro de 2026, cerca de 63% da equipe.
O que a empresa disse: quem divulgou o número nas redes sociais foi o diretor de operações, Diego Breda de Carvalho. Ele descreveu a data como o pior dia de seus 28 anos como empreendedor.
Situação atual: a empresa segue com cerca de 100 funcionários e não anunciou o encerramento da operação brasileira.
Rivalo
O que aconteceu: segundo ex-funcionários ouvidos pela imprensa, a Rivalo dispensou quase toda a sua equipe de cerca de 100 pessoas no início de outubro de 2026.
O que a empresa disse: o diretor da Rivalo no Brasil, Daniel Eskinazi, atribuiu as demissões à MP, que interrompeu as operações da empresa. À imprensa internacional, ele disse que a empresa mantém parte dos funcionários à espera de uma possível retomada, caso o mercado volte a ser regulado.
Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e a equipe foi reduzida.
Rei do Pitaco
O que aconteceu: segundo relatos de ex-funcionários, a empresa afastou mais da metade de seus cerca de 100 funcionários no início de outubro de 2026. Foram 40 demitidos e outros 30 colocados em férias coletivas.
O que a empresa disse: até a última atualização, a empresa não havia divulgado nota oficial sobre os desligamentos.
Situação atual: parte da equipe continua em férias coletivas. A ANJL aponta que trabalhadores nessa situação podem ser demitidos se a paralisação continuar.
7K Bet e Cassino (Ana Gaming)
O que aconteceu: a Ana Gaming, dona das marcas 7K Bet e Cassino, fez demissões em outubro de 2026.
O que a empresa disse: em nota, a empresa confirmou os desligamentos, mas não informou quantas pessoas foram afetadas.
Situação atual: os sites estão fora do ar desde 6 de outubro. A empresa não anunciou o encerramento da operação.
EstrelaBet e Vupi (Stellar Gaming)
O que aconteceu: em 14 de outubro de 2026, a Stellar Gaming, que administra a EstrelaBet e a Vupi, anunciou desligamentos. A empresa atribuiu a decisão à MP.
O que a empresa disse: o chief business officer, Fellipe Fraga, confirmou as demissões no LinkedIn e chamou a data de um dos dias mais difíceis de sua carreira. O número de desligados não foi divulgado.
Situação atual: os sites das duas marcas estão fora do ar desde 6 de outubro.
Casas que preservaram empregos ou foram à Justiça
Nem todas as casas reagiram com cortes. Algumas garantiram empregos por um período, outras mantiveram a marca visível por outros meios e uma tentou continuar operando por decisão judicial.
Betano (Kaizen Gaming)
O que aconteceu: a Kaizen Gaming garantiu os empregos de seus funcionários no Brasil até o fim da análise da MP 1.394/2026 pelo Congresso Nacional. A garantia tem prazo: termina quando o Congresso decidir sobre a MP.
O que a empresa disse: a empresa afirmou que segue comprometida com o Brasil e que está no país “para o longo prazo”. A Allwyn, dona de 36,75% da Kaizen, informou que a Betano prepara uma ação judicial para proteger seus direitos, já que recebeu uma licença de cinco anos em janeiro de 2025.
Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e o domínio redireciona para a página do governo federal. Como a de todas as casas, a autorização federal da Betano foi extinta em 25 de outubro.
Superbet
O que aconteceu: a Superbet aparece, ao lado da Betano, entre as grandes empresas que até agora preservam seus quadros. No futebol, o São Paulo manteve o contrato com a Superbet e passou a divulgar a Superscore. Ela pertence ao mesmo grupo, mas o governo não a considera casa de apostas.
O que a empresa disse: até a última atualização, a empresa não havia se posicionado publicamente sobre demissões ou sobre o futuro da operação brasileira.
Situação atual: o site está fora do ar no Brasil desde 6 de outubro. A marca continua operando em outros países.
Sportingbet (Entain)
O que aconteceu: não há relatos públicos de demissões na operação brasileira. No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 15 de outubro, a Entain registrou queda de 36% na receita no Brasil. Segundo o grupo, a queda veio em parte das dificuldades do mercado antes da proibição.
O que a empresa disse: a CEO Stella David afirmou que o valor de longo prazo da marca Sportingbet deixaria a empresa bem posicionada caso a proibição seja derrubada. A Entain também disse que cumpre a proibição como ela está hoje.
Situação atual: o site está fora do ar desde 6 de outubro, e o domínio redireciona para a página do governo federal.
Um levantamento da Gazeta do Povo em 6 de outubro, bet365, Blaze, Luva Bet, Galera Bet e Versus indicaram que esperam uma reversão ou contestação da proibição. Já o Santos suspendeu a exposição da marca Novibet, sua patrocinadora máster, mas o contrato continua vigente. Assim que alguma dessas empresas anunciar demissões ou mudanças na operação, ela entra nesta lista.
Do que depende a volta das casas de apostas
Hoje, nenhuma casa de apostas pode operar legalmente no Brasil. Para que qualquer uma delas volte, alguma destas frentes precisa mudar.
Presidência: Lula foi reeleito no segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Com Lula mantendo publicamente sua posição contrária às bets, a tendência é de continuidade da proibição por parte do governo federal. O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027.
Congresso: A MP já tem força de lei, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado para virar lei de forma permanente. Até 27 de outubro, a comissão mista que vai analisar o texto ainda não tinha sido instalada.
A MP recebeu 99 emendas e entra em regime de urgência em 9 de novembro. O prazo inicial para votação termina em 23 de novembro e pode ser prorrogado por mais 60 dias. O recesso parlamentar suspende a contagem do prazo.
STF: O ministro Luiz Fux é o relator das ações sobre o tema. A AGU pediu que o Supremo rejeite as tentativas de suspender a MP, ouça a Procuradoria-Geral da República e realize uma nova audiência pública. Já a ANJL e o IBJR pediram a suspensão da MP ou, como alternativa, que as empresas autorizadas possam operar até 31 de dezembro de 2026.
Licenças extintas: Este é o ponto que costuma ficar de fora das manchetes. As autorizações federais foram extintas em 25 de outubro de 2026, sem direito a devolução das outorgas de R$ 30 milhões nem a indenizações.
Em todo o mercado, foram 85 outorgas e R$ 2,55 bilhões pagos. Pela Constituição (art. 62, §11), se a MP perder a validade sem que o Congresso regule seus efeitos, as relações criadas durante sua vigência continuam regidas por ela. Por isso, há uma interpretação de que, mesmo com a queda da proibição, as empresas teriam de pedir novas autorizações antes de voltar. Esse ponto ainda não foi decidido.
Obrigações em andamento: Mesmo fora do ar, as operadoras têm até 15 de dezembro para quitar as obrigações pendentes com a Secretaria de Prêmios e Apostas.
Para acompanhar cada uma dessas frentes em detalhe, veja o nosso artigo completo sobre a proibição das apostas.
Termômetro de retorno: os fatores que pesam na volta de uma casa de apostas
Prever se uma casa de apostas específica vai voltar ao Brasil exige informações que não são públicas: caixa disponível, decisões de conselho, negociações com investidores.
Por isso, esta seção não atribui chances a nenhuma marca. O objetivo é mostrar quais fatores observáveis tendem a pesar na decisão de uma empresa caso o mercado reabra.
Antes de tudo, a volta de qualquer empresa depende de uma condição anterior: a reabertura do mercado regulado, seja pelo Congresso, pelo STF ou por uma nova legislação. Sem essa condição, nenhum dos fatores abaixo é suficiente.
| Fator | Por que pesa na decisão |
|---|---|
| Manutenção de equipe ou estrutura no Brasil | Uma empresa que mantém funcionários, escritório e sistemas consegue retomar a operação mais rápido e com menos custo do que uma que precisa recontratar e reconstruir tudo |
| Operação em outros países | Grupos com receita em vários mercados conseguem absorver meses sem faturamento no Brasil; empresas que dependiam só do mercado brasileiro têm menos fôlego para esperar |
| Peso do Brasil na receita do grupo | Quanto maior a fatia brasileira no faturamento, maior o incentivo para voltar, mas também maior o dano financeiro durante a pausa |
| Declarações públicas sobre o futuro | Comunicados a investidores e funcionários indicam a intenção declarada da empresa, embora não sejam garantia de decisão futura |
| Presença da marca no país por outros meios | Patrocínios mantidos por marcas do mesmo grupo preservam a lembrança da marca e reduzem o custo de um eventual relançamento |
| Ações na Justiça | Ir ao Judiciário mostra disposição de disputar o direito de operar ou a devolução de valores, mas também pode refletir apenas a tentativa de recuperar o investimento |
| Custo de uma nova autorização | Se as empresas precisarem pagar uma nova outorga, o investimento perdido com a extinção das licenças pesa na conta de quem decide voltar |
| Ambiente regulatório futuro | Regras mais restritivas, como uma eventual liberação apenas das apostas esportivas, mudam a viabilidade do negócio, sobretudo para empresas focadas em cassino online |
Uma empresa pode manter a equipe e, ainda assim, decidir não voltar se o novo ambiente regulatório tornar a operação pouco rentável. Outra pode ter encerrado tudo e voltar com outra estrutura, caso as condições mudem.
Perguntas frequentes
Todas as casas autorizadas pararam de operar em 6 de outubro de 2026 por força da MP 1.394/2026. Além disso, a Flutter encerrou a marca Betfair no país, e ex-funcionários relatam que a KTO fechou as portas, sem confirmação oficial da empresa.
Mais de 3.500 trabalhadores, segundo levantamento parcial da ANJL divulgado em 7 de outubro de 2026. Outros 4.167 estavam em férias coletivas, e a projeção é de 5.600 demissões em 90 dias.
Ex-funcionários relataram no LinkedIn o fechamento da empresa e mais de 200 demissões em 8 de outubro. O fundador admitiu muitos cortes, mas a empresa não confirmou oficialmente o encerramento.
Não, até a última atualização. A Kaizen Gaming garantiu os empregos no Brasil até o fim da análise da MP pelo Congresso.
Não necessariamente. As autorizações foram extintas em 25 de outubro de 2026, e há interpretação de que as empresas precisariam de novas licenças para voltar a operar.
Não. Qualquer site que aceite apostas de brasileiros hoje opera sem autorização. Veja os riscos de apostar em casas não legalizadas.


