O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reconheceu que a proibição das apostas de quota fixa pela MP 1.394/2026 criou um problema para o financiamento dos clubes de futebol. A declaração foi feita na segunda-feira (19), em São Paulo, em uma reunião de mais de duas horas com representantes de 35 torcidas organizadas.
Segundo a Focus Gaming News, o encontro marca uma mudança no discurso do governo, que defendeu o fim das bets por razões de saúde pública e agora admite publicamente o efeito colateral sobre o futebol.
O que Boulos disse sobre as bets e os clubes
De acordo com o ministro, as casas de apostas patrocinavam boa parte dos clubes das Séries A e B e chegaram a inflacionar os valores de patrocínio no futebol. Boulos reforçou que a decisão de encerrar o setor foi tomada em nome da saúde pública, mas admitiu que “criou-se um problema, que o nosso governo reconhece” em relação às finanças dos times.
Durante a reunião, não foi divulgada nenhuma medida específica para compensar a perda de receita dos clubes com o fim dos patrocínios.
O que as torcidas pediram ao governo
Segundo o jornal O Globo, a reunião foi um pedido dos próprios torcedores, que querem estreitar a comunicação com o poder público. A busca por alternativas ao fim dos patrocínios de casas de apostas foi um dos temas centrais do encontro.
A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) entregou uma carta com reivindicações ao presidente Lula. Entre os pedidos estão:
- Agenda de valorização das torcidas organizadas, com foco em organização, participação social, prevenção da violência e garantia de direitos.
- Dia nacional em homenagem às torcidas organizadas.
- Revisão de um trecho da Lei Geral do Esporte, trocando a responsabilização coletiva por punições individuais em casos de violência nos estádios.
Grupo de trabalho permanente
Boulos se comprometeu a criar um grupo de trabalho permanente para ouvir as demandas das torcidas organizadas, que deve ser instaurado nas próximas semanas.
O colegiado terá servidores da Secretaria-Geral e dos ministérios do Esporte, da Justiça e da Cultura, além de representantes escolhidos coletivamente pelas próprias torcidas.
Por que o tema chegou às torcidas
A reunião foi marcada depois das manifestações dos clubes, que afirmam que a proibição reduz a arrecadação das equipes e representaria o “fim do futebol brasileiro”. Algumas torcidas organizadas também se posicionaram contra a forma como o fim das bets foi determinado.
A pressão também aparece dentro de campo. Na 31ª rodada da Série A, clubes voltaram a participar da campanha “Proibir não é proteger”, criada pelo IBJR e pela ANJL, entidades que representam o mercado regulado de apostas.
O que acontece agora
Os próximos passos da MP envolvem o STF e o Congresso:
- 25 de outubro: no dia do segundo turno, as autorizações concedidas com base na Lei 14.790 deixam de existir
- STF: o ministro Luiz Fux, relator das ações contra a MP, deve decidir sobre a validade da medida depois do segundo turno
- Congresso: a comissão mista já teve os membros indicados, mas ainda não tem presidente, relator nem data de instalação
- 9 de novembro: a MP passa a trancar a pauta; o prazo inicial de vigência vai até 23 de novembro, prorrogável por mais 60 dias


