O Campeonato Brasileiro volta a campo nesta sexta-feira (2) em um cenário bem diferente do que existia antes da Data Fifa. Como a Medida Provisória proibindo as Bets que foi publicada durante a pausa do calendário, ainda não houve nenhum jogo do Brasileirão ou da Copa do Brasil depois da decisão do governo, e o clássico entre São Paulo e Santos, às 20h, no Morumbis, será o primeiro.
A mudança atinge desde o nome da competição até a camisa dos clubes. A Betano é dona dos naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil, e 14 dos 20 clubes da Série A têm empresas de apostas como patrocinadoras máster. Abaixo, você entende o que já mudou, como os clubes estão reagindo e o que ainda está em aberto.
Resumo
- O que aconteceu: a CBF retirou a marca da Betano, dona dos naming rights, dos perfis oficiais do Brasileirão e da Copa do Brasil nas redes sociais, e 14 dos 20 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras máster.
- Prazo: marcas de bets precisam sair de camisas, placas e mídias até as 23h59 de 5/10, e as plataformas de apostas devem ser bloqueadas a partir de 6/10.
- Primeiro jogo: São Paulo x Santos, nesta sexta-feira (2), é a primeira partida depois da MP. O Santos jogará sem patrocinador máster após suspender a Novibet, enquanto o São Paulo ainda usará a Superbet.
- Flamengo no STF: o clube pediu para entrar como amicus curiae na ADI 8.027, cita o contrato de R$ 268,5 milhões por temporada com a Betano e pede a suspensão da MP antes de 5/10.
- Dinheiro em jogo: em 2025, os patrocínios de bets somaram cerca de R$ 1,03 bilhão para a Série A, ou 7,2% das receitas dos clubes.
- Alternativas: os clubes negociam uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões, mas o BNDES diz ter restrição estatutária para esse tipo de empréstimo, e a reunião com o governo foi adiada para depois do primeiro turno.
- Para o torcedor: a proibição vale para quem faz publicidade, e você pode continuar usando a camisa com o patrocinador antigo.
O que muda no Brasileirão a partir de agora
A MP determina que materiais publicitários e marcas de patrocínio de empresas de apostas sejam retirados até as 23h59 de 5 de outubro. A partir do dia 6, as plataformas de apostas devem ser bloqueadas no país.
- Nome da competição: a CBF já começou a adaptar a comunicação e retirou a marca da Betano dos perfis oficiais do Brasileirão e da Copa do Brasil nas redes sociais. A Betano comprou os naming rights da Copa do Brasil em 2023 e, no Brasileirão, o acordo foi firmado em 2024, substituindo o Assaí. Os valores do contrato não foram divulgados oficialmente.
- Posição da CBF: a entidade disse que não iria se manifestar sobre o contrato com a Betano.
- Camisas, placas e mídias: clubes e operadoras têm até 5 de outubro para remover as marcas de uniformes, placas de publicidade, mídias digitais e peças promocionais físicas.
- Para o torcedor: a proibição vale para quem faz publicidade, e o torcedor pode continuar usando a camisa com o patrocinador antigo.
Quais clubes da Série A são patrocinados por bets
Os 14 clubes da Série A com casas de apostas como patrocinadoras máster são:
- Flamengo (Betano)
- Corinthians (Esportes da Sorte)
- São Paulo (Superbet)
- Palmeiras (Sportingbet)
- Atlético-MG (H2Bet)
- Botafogo (VBet)
- Fluminense (Superbet)
- Vasco (Sportingbet)
- Grêmio (Pitaco)
- Cruzeiro (Betnacional)
- Santos (Novibet)
- Vitória (7KBet)
- Remo (VaideBet)
- Chapecoense (ZeroUm)
Ficam de fora dessa lista apenas seis equipes: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e Bragantino. Entre elas, Mirassol e Bragantino são os únicos que nunca tiveram uma bet como patrocinadora máster.
Como os clubes estão reagindo
As respostas variam bastante de um clube para outro.
- Santos: foi o primeiro clube a suspender o contrato com uma bet. O time jogará o clássico sem patrocinador máster, já que interrompeu a parceria com a Novibet. O vínculo, que previa até R$ 85 milhões por ano, segue vigente, mas sem exposição da marca, e o clube diz estar aberto a novas oportunidades no mercado.
- São Paulo: vai entrar em campo ainda com a Superbet na camisa, porque entende que continua dentro do prazo estabelecido pela MP.
- Flamengo e Botafogo: já começaram a retirar as marcas antes do fim do prazo. O Flamengo removeu a Betano dos materiais publicados em seus canais oficiais, e o Botafogo aparece em imagens de treino sem a VBET no uniforme.
- Vitória: o contrato com a 7k Bet, que ia até 2027, foi rompido sem pagamento de multa por causa da MP.
Flamengo leva o caso ao STF
O Flamengo, dono do maior contrato de patrocínio do país, foi o primeiro clube a pedir participação individual em uma das ações que questionam a MP. O pedido foi feito para o clube entrar como amicus curiae na ADI 8.027, apresentada pela ANJL e relatada pelo ministro Luiz Fux.
Na petição, o clube cita o contrato com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada e válido até o fim de 2028, e pede que o STF suspenda os efeitos da MP antes de 5 de outubro.
O Flamengo usa como exemplo a Inglaterra, onde a saída das casas de apostas das camisas da Premier League foi decidida em 2023, mas só passa a valer na temporada 2026/27.
Segundo projeção da diretoria, o impacto total das mudanças ligadas às bets pode chegar a R$ 400 milhões ou R$ 430 milhões em 2027. O pedido ainda precisa ser aceito pelo STF.
Quanto dinheiro está em jogo
Em 2025, os patrocínios de bets somaram cerca de R$ 1,03 bilhão para as equipes da Série A, segundo a consultoria Convocados, o equivalente a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos times.
O peso varia muito entre os clubes. Para o Flamengo, a Betano representa sozinha R$ 268,5 milhões por ano, e o presidente Luiz Eduardo Baptista afirma que não há alternativa para repor essa receita no orçamento.
O que pode substituir as bets
Algumas alternativas começam a aparecer, mas nenhuma está definida.
- Linha de crédito: os clubes negociam com o governo uma linha de financiamento estimada em até R$ 20 bilhões para equipes das Séries A e B. A ideia inicial era usar o BNDES, mas o banco informou que tem uma restrição estatutária para conceder esse tipo de crédito.
- Reunião adiada: o encontro entre clubes, federações e ministros, marcado para 29 de setembro no Palácio do Planalto, foi adiado para depois do primeiro turno das eleições. A CBF participa das conversas, e o regulamento de Fair Play Financeiro tem sido usado para justificar o acesso ao crédito.
- Estatais estaduais: o governo de Minas Gerais anunciou que Cemig e Codemig vão destinar recursos de publicidade e patrocínio a América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro.
- Novos patrocinadores privados: há relatos de interesse de outras marcas, como a Lubrax, que teria avisado o Flamengo de que quer assumir o patrocínio máster.
O que acontece daqui para frente
As próximas datas que você deve acompanhar são:
- 5 de outubro, 23h59: fim do prazo para retirar marcas de bets de camisas, placas e mídias.
- 6 de outubro: início do bloqueio das plataformas de apostas.
- Depois do primeiro turno (4/10): nova data para a reunião entre clubes e governo.
- STF e Congresso: a análise das ações no Supremo e a tramitação da MP vão definir se a proibição se mantém, muda ou cai.
Até lá, o Brasileirão segue normalmente dentro de campo, mas sem as marcas que dominaram as camisas e o nome do campeonato nos últimos anos.


